Momento Híbrido
Escapa-me a ciência da ascensão
Os anjos, discretos como sempre, escondem de mim seus nomes
Onde se ocultou aquela língua de fogo?
Sabia usá-la para cruzar as fronteiras entre as ediundas dimensões
Quantos irmãos me rodeiam!
A humanidade ofuscou minha introversão.
As monsões floresceram palavras e corações
E me sinto contente
apesar de ansiar pelo Sem Nome
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Querido Irmão Tagore:
Tardo um pouco em escrever-te, mas sei que esta o alcançará.
Como você, amei deuses em tudo o que vi,
E tudo voltava a ser Um.
Meu paraíso é um deserto, adornado com uma árvore de fruto único.
Como-o com meus olhos sem negar meus desejos.
Encanta-me a inperfeição das flores, o desafinado canto dos pássaros, o torpor solar... e desconfio da integridade deste grande lago.
Só a majestade da complexidade humana parece me aborrecer um pouco.
E não compreendo como perco os meios para deste engodo me esquivar.
Esta estação de águas sem fim é um choro inconsolável que atesta nossa áspera fragilidade.
Adoraria privar-me do riso, só por uns dias, sem perder no entanto este contentamento quase que inadequado diante de deus, do sol, da chuva, das florestas, dos homens - e em especial deste grande lago.
Pokhara, Lake Side, 29-07-2010 Nepal

3 comentários:
Amei os poemas alagados, muito embora eu esteja a margem admirando suas proeza.
Com amor da,
Mamma
Lindo poema, quanta inspiração!. Adorei esse lugarzinho, queria estar aí agora.
Namaskar!
Cidinha
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