domingo, 6 de março de 2011

Velejar é Dançar com o Mar

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Estou novamente no mar. A primeira viagem que nos levou de Singapura à Jakarta, Indonésia, foi cheia de magia. Apesar de um temporal repentino que nos sacudiu do sossego, navegamos em águas mansas e dias cheios de sol.

Chegar em Jakarta foi o começo de uma outra tempestade. Apesar de toda a tripulação ter conseguido o visto necessário, MIR, nosso veleiro, padeceu por mais de uma semana emaranhado nas teias da burocracia corrupta da capital da Indonésia. Isto drenou a energia de todos nós, principalmente de nosso capitão, Laser, Gaie e Orla (a mulher do capitão e nossa cientista pesquisadora). Tinhamos a nosso favor o apoio de Nina, esposa de Dhanny, que trabalha para uma compania de extração de petróleo inglesa junto ao governo mediando trâmites jurídicos.

 

DSCF6981Quando conseguimos permissão para seguir rumo a Bali, vi nossos anfitriões suspirarem aliviados… mas não houve muito tempo para recuperar o fôlego pois após o primeiro dia no mar começamos a sofrer a tensão de um temporal (squall) atrás do outro. Estas núvens negras que rondam as águas profundas vêm derrepente e fazem tudo balançar! Correrias sem fim para baixar velas, fechar escotilhas, por baldes nos locais onda há goteiras… Ontem foi um extremos, andar pelo barco virou a maior gozação, pois tinhamos que dançar no rítmo do temporal, era MIR, embalada pelo mar quem escolhia onde pisaríamos. Eu e Jasmina estavamos responsáveis em cozinhar bem no momento em que tudo voava de sobre a pia, o balcão, o fogão. Ríamos loucamente enquanto agíamos como divindades indianas providas de 8 braços!

DSCF6974Hoje (02/03) fomos abençoados com um dia de profunda calmaria. Os ventos ceçaram e o veleiro praticamente parou. O sol nos convidou para por tudo pra fora, no deck e proa para secar, roupas lavadas e ao final da tarde, um merecido mergulho me alto mar.

Agora pouco, a noite, coloquei música em meus fones de ouvido e fui para a prôa do barco ficar um pouco a sós, tomar um banho de vento marítimo e ver as ondas que reluzem como estrelas de tanto plâncton que acende ao atrito do casco do barco nas águas.

Cantando e pleno de bem-aventurança, vejo formas mágicas e magníficas serpentenado desenhos estelares na água. Me debruço no barco e me deparo com cinco golfinhos, completamente resplandescentes por conta do plâncton. Começo a chamá-los e eles, ao me ouvir, saltam da água e fazem manobras alucinantes, em uma velocidade tremenda!! Grito para o restante da tripulação vir para a prôa e entramos todos em absoluto êxtase… quanto mais os chamávamos com assovios, bater de palmas e gargalhadas, mais felizes nossos amigos do mar ficavam e mais ainda saltavam, faziam manobras e brilhavam como se fosse feitos de pó das estrelas. Podiamos ver suas siluetas desenhadas pela luminosidade do plâncton. Em um dos saltos, um deles tocou a ponta de meus dedos… o espetáculo durou uns 20 minutos que pareceu uma eternidade.

Quando eles se foram, todos também se recolheram. Fiquei com minha música dançando com uma energia extraordinária… foi a coroação da grande Mãe Natureza que me ensina cada vez mais a manter-me em constante estado de gratidão e gozo diante de todas as suas danças, sejam elas suaves e doces, sejam elas picantes, amargas e terríveis.

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Tudo é ELE, Tudo é ELE, Tudo é ELE!!

Por detrás de toda a sinfonia cósmica, tudo é ELE!

MIR, MIR, MIR

SHANTI, SHANTI, SHANTI

PAZ, PAZ, PAZ

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7 comentários:

caedelucca disse...

Q tudo meu chapa!!

E o melhor, o sonho keeps going!!

Meu coração bate junto por ai tbem..

Namaskar!

Arlete Meggiolaro disse...

Meu filho amado,
Quando estamos conversando a emoção vem encharcada de informações, então pingos caem por aqui, outor por lá e alguns se perdem.

Neste seu relato fiquei emocionada com os golfinhos, estes foram os pingos que cairam, durante a conversa, fora do contexto.

Filhão, para enfrentar tempestades em alto mar precisa ser de ferro, hummm olhando para mim, nossa, me vejo frágil como um cristal, acho que até ao som dos trovões eu me desmancharia...

As experiências que você tem vivenciado me parecem de proporção incomensurável. Que bençao meu filho.

Os plânctons se agrege a luz para clarear cada vez mais sua jornada.

O Pai esteja contigo.

Com imenso amor saudoso,
beijos infinitos,
Mamacita

Gabi Nemirovsky disse...

Meu querido amigo, devo confessar uma enorme inveja da sua liberdade e aventura!

Imagino que algumas coisas nao devem ser faceis mas sua jornada da Alma parece compensar tudo!

Hoje estava pensando em vc aqui. Vc faz falta mas sei que esta feliz pelo outro lado...

Cuide-se. Saudades, bjos. Gabi

Anônimo disse...

Namaskar Satyavan,

Que blog lindo! Experiências fortes e bonitas! Vou acompanhar suas postagens... adorei!
Que os bons ventos de te levem a destinos muito felizes!

Beijinho,

Madhumita'

BABA NAM KEVALAM

cidinha disse...

Satyavan querido, não consigo imaginar tamanha felicidade junto a esses seres tão sensíveis que são os golfinhos. Eles na realidade são seres muito elevados. Que grande auspício! A recompensa pelos apertos da jornada.......
beijos
Cidinha
Om Shanti

Unknown disse...

Uaaau Roger!! Q. lindo, q. magia!!
Sinto a força e a energia gigantesca da natureza em todas as suas palavras: divino!!! Me sinto revigorada por ela ao ler esse texto como se tivesse contemplado a mesma paisagem! Perfeito e loucamente mágico esse post! Enjoy!! Bjos, Katia

Unknown disse...

Uaaau Roger!! Q. lindo, q. magia!!
Sinto a força e a energia gigantesca da natureza em todas as suas palavras: divino!!! Me sinto revigorada por ela ao ler esse texto como se tivesse contemplado a mesma paisagem! Perfeito e loucamente mágico esse post! Enjoy!! Bjos, Katia Neves