domingo, 5 de setembro de 2010

Cobra Criada

Há duas noites atrás aconteceu algo muitíssimo interessante!

Voltava para minha guest-house em companhia de uma amiga, brazuca, que esta hospedada no mesmo morro que eu, um pouco mais arriba. Muitas vezes ela pede que eu a acompanhe até sua hospedaria para não subir a trilha sozinha no escuro. De vez em quando digo a ela para ir sozinha, para lidar com seus medos e inseguranças com as disposições de uma guerreira.

Foi este o caso nesta noite.
Subíamos o morro juntos e um grupo de 3 russos que haviamos conhecido a pouco passou por nós. Carina continuou a breve caminhada sozinha, logo atrás dos rapazes. Fui para meu quarto, tomei uma ducha e me joguei na cama.
Pensamentos muito fortes invadiram minha mente e entrei em um nível bem grande de preocupação pela minha amiga. Tentei meditar para tirar os pensamentos de minha mente, mas não adiantou, continuei preocupado. O dia tinha sido cheio de experiências meio místicas e resolvi dar crédito a minha intuição... botei minhas roupas de volta no corpo e subi a trilha até o quarto de Carina.

Ao me aproximar, a vi sentada em sua cama, com a porta aberta. Perguntei se estava tudo bem... ela disse que sim, e se surpreendeu de eu lá estar, pois sentia que eu me aproximava.
Me despedi e comecei a descer alguns degraus de volta a trilha. Foi quando pisei numa cobra. A danada se enroscou de leve nos meus pés e fugiu pra dentro do mato. Dei um salto e exclamei... A COBRA!!

Esperei mais um bocadinho e voltei pro minha hospedaria.
Ao deitar-me novamente, a presença de Carina começou a ficar ainda mais intensa em minha mente. Derrepente ela bate na porta, ofegante e me diz... Satyavan, preciso de sua ajuda, a cobra entro no meu quarto e está lá dentro... fechei a porta e saí correndo para pedir ajuda! Me vesti novamente e saí morro acima com ela pra ver se conseguia tirar a cobra de seu quarto.

Carina me disse que quando eu saí, ela sentou na porta do quarto e logo sentiu algo ao seu lado, viu a cobra de aproximando. Em um salto entro no quarto e fechou a porta, colocando uns panos embaixo para fechar o vão. Debruçou na janela e tentou olhar onde a cobra estava. Foi quando sentiu algo passando sobre seus pés... a danada tinha empurrado os panos e entrou no quarto.

Entrei no quarto com minha lanterna e comecei a procurar pela bixinha nos cantos todos. Quando levantei o backpack, a grande e negra cobra estava enrolada perto da parede, muito tranquila e serena.
Era linda, brilhante, negra, lustrosa... por um instante o medo se dissipou e senti que ela estava lá em paz, fazendo dando algum tipo de ajuda para nossa proteção.

Lembrei-me de uma ocasião, em que viajava em Floripa com um Dada e, ao terminarmos uma meditação pela manhã, na casa de uns irmãos margiis, abrimos os olhos e entre eu e o Dada havia uma grande jararaca. O Dada me pediu para tirar ela da casa. Perguntei como e ele me disse para cantar kiirtam "Baba Nam Kevalam"... peguei um pau e nem precisei tocá-la, ao som do kiirtam ela saiu pelo buraco na parede por onde havia entrado.

Com isso em mente, comecei a cantar Baba Nam Kevalam, e a cobra se desenrolou lentamente... pacificamente, e saiu do quarto bem devagar.

Ficamos atônitos por um momento, sem saber o que dizer ou fazer.

Acho que o fato de cobra ter passado sobre os meus pés, e depois sobre os pés de Carina teve um significado muito especial. Senti que ela estava limpando-nos de alguma energia estranha que podíamos ter pego por aí.

Alguns dias antes, um festival que celebrava uma serpente sagrada dos mitos hindús tinha acontecido e imagens de cobras haviam sido pregadas na porta de todas as casas.

Aqui as sincronicidades acontecem em banda larga, é uma surpresa atrás da outra. Simbolos místicos e realidade objetiva se fundem de maneira muito íntima e intrinseca, causando sempre espanto às nossas pobres mentes lineares e racionais do ocidente.

Baba Nam Kevalam...
O Nome do Eterno Está Em Todos os Lugares!

6 comentários:

RosanaSidom_Plêiades disse...

Como ser indiferente aos sinais da vida. Ela pulsa através de todas as suas expressões. bjs.

Unknown disse...

Semana passada sonhei muito com cobras também. Encontrava muitas na trilha e tinha que tirá-las do caminho. Lebro que só hesitei qdo me deparei com uma grandona amarelona. Gostei da dica do "Baba nam" ;), sempre bom estar previnido hehe
Saudadonasssssssssssss

cidinha disse...

Oi Satyavan Namaskar!
Se a experiência tivesse acontecido comigo não sei qual seria a minha reação....Esse definitivamente não é o meu animal predileto, morro de medo!
Mas o ensinamento tinha que vir de qualquer maneira não é mesmo?
uma grande beijo
Om Shanti

Bernardo disse...

Nossa Rogério, que demais... Não sei nem o que pensar disso, eu teria morrido de medo! Mas amei a história, dá vontade de viver algo intenso assim - intenso e tal diferente, meio fora de controle...

JoseCarlos disse...

Baba Nan Kevalan ...

JoseCarlos disse...

Quanto suspense em Satyavan?
Abraços
José Carlos