Voltava para minha guest-house em companhia de uma amiga, brazuca, que esta hospedada no mesmo morro que eu, um pouco mais arriba. Muitas vezes ela pede que eu a acompanhe até sua hospedaria para não subir a trilha sozinha no escuro. De vez em quando digo a ela para ir sozinha, para lidar com seus medos e inseguranças com as disposições de uma guerreira.
Foi este o caso nesta noite.
Subíamos o morro juntos e um grupo de 3 russos que haviamos conhecido a pouco passou por nós. Carina continuou a breve caminhada sozinha, logo atrás dos rapazes. Fui para meu quarto, tomei uma ducha e me joguei na cama.
Pensamentos muito fortes invadiram minha mente e entrei em um nível bem grande de preocupação pela minha amiga. Tentei meditar para tirar os pensamentos de minha mente, mas não adiantou, continuei preocupado. O dia tinha sido cheio de experiências meio místicas e resolvi dar crédito a minha intuição... botei minhas roupas de volta no corpo e subi a trilha até o quarto de Carina.Ao me aproximar, a vi sentada em sua cama, com a porta aberta. Perguntei se estava tudo bem... ela disse que sim, e se surpreendeu de eu lá estar, pois sentia que eu me aproximava.
Me despedi e comecei a descer alguns degraus de volta a trilha. Foi quando pisei numa cobra. A danada se enroscou de leve nos meus pés e fugiu pra dentro do mato. Dei um salto e exclamei... A COBRA!!
Esperei mais um bocadinho e voltei pro minha hospedaria.
Ao deitar-me novamente, a presença de Carina começou a ficar ainda mais intensa em minha mente. Derrepente ela bate na porta, ofegante e me diz... Satyavan, preciso de sua ajuda, a cobra entro no meu quarto e está lá dentro... fechei a porta e saí correndo para pedir ajuda! Me vesti novamente e saí morro acima com ela pra ver se conseguia tirar a cobra de seu quarto.
Carina me disse que quando eu saí, ela sentou na porta do quarto e logo sentiu algo ao seu lado, viu a cobra de aproximando. Em um salto entro no quarto e fechou a porta, colocando uns panos embaixo para fechar o vão. Debruçou na janela e tentou olhar onde a cobra estava. Foi quando sentiu algo passando sobre seus pés... a danada tinha empurrado os panos e entrou no quarto.
Entrei no quarto com minha lanterna e comecei a procurar pela bixinha nos cantos todos. Quando levantei o backpack, a grande e negra cobra estava enrolada perto da parede, muito tranquila e serena.
Era linda, brilhante, negra, lustrosa... por um instante o medo se dissipou e senti que ela estava lá em paz, fazendo dando algum tipo de ajuda para nossa proteção.
Lembrei-me de uma ocasião, em que viajava em Floripa com um Dada e, ao terminarmos uma meditação pela manhã, na casa de uns irmãos margiis, abrimos os olhos e entre eu e o Dada havia uma grande jararaca. O Dada me pediu para tirar ela da casa. Perguntei como e ele me disse para cantar kiirtam "Baba Nam Kevalam"... peguei um pau e nem precisei tocá-la, ao som do kiirtam ela saiu pelo buraco na parede por onde havia entrado.
Com isso em mente, comecei a cantar Baba Nam Kevalam, e a cobra se desenrolou lentamente... pacificamente, e saiu do quarto bem devagar.
Ficamos atônitos por um momento, sem saber o que dizer ou fazer.
Acho que o fato de cobra ter passado sobre os meus pés, e depois sobre os pés de Carina teve um significado muito especial. Senti que ela estava limpando-nos de alguma energia estranha que podíamos ter pego por aí.
Alguns dias antes, um festival que celebrava uma serpente sagrada dos mitos hindús tinha acontecido e imagens de cobras haviam sido pregadas na porta de todas as casas.
Aqui as sincronicidades acontecem em banda larga, é uma surpresa atrás da outra. Simbolos místicos e realidade objetiva se fundem de maneira muito íntima e intrinseca, causando sempre espanto às nossas pobres mentes lineares e racionais do ocidente.
Baba Nam Kevalam...
O Nome do Eterno Está Em Todos os Lugares!

6 comentários:
Como ser indiferente aos sinais da vida. Ela pulsa através de todas as suas expressões. bjs.
Semana passada sonhei muito com cobras também. Encontrava muitas na trilha e tinha que tirá-las do caminho. Lebro que só hesitei qdo me deparei com uma grandona amarelona. Gostei da dica do "Baba nam" ;), sempre bom estar previnido hehe
Saudadonasssssssssssss
Oi Satyavan Namaskar!
Se a experiência tivesse acontecido comigo não sei qual seria a minha reação....Esse definitivamente não é o meu animal predileto, morro de medo!
Mas o ensinamento tinha que vir de qualquer maneira não é mesmo?
uma grande beijo
Om Shanti
Nossa Rogério, que demais... Não sei nem o que pensar disso, eu teria morrido de medo! Mas amei a história, dá vontade de viver algo intenso assim - intenso e tal diferente, meio fora de controle...
Baba Nan Kevalan ...
Quanto suspense em Satyavan?
Abraços
José Carlos
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